A maior parte do cavaco produzido pelo Departamento Florestal para abastecer as caldeiras da Agrária é transportada por prestadores de serviços terceirizados. Entretanto, desde 2021, o número de veículos no modal truck com caçamba e semirreboque (popularmente chamado de Julieta) aptos a fazer o deslocamento das cargas mostrou-se insuficiente diante da demanda industrial.
Para solucionar o problema, a Cooperativa investiu R$ 4,5 milhões. Primeiramente, na compra de três conjuntos de Romeu e Julieta, compostos por um caminhão truck com caçamba e um semirreboque. Trata-se de um modal de transporte específico para terrenos declivosos, como os encontrados nas áreas onde a Agrária desenvolve sua atividade Florestal.
O uso dos novos veículos atende 30% da necessidade mensal de carregamento para as indústrias da Cooperativa. “A aquisição dos caminhões foi nossa última alternativa, após não encontrarmos um número de fornecedores suficiente, que pudesse atender nossa necessidade. A intenção não é tornar todo o processo interno, mas percebemos que esse modelo híbrido está dando certo”, pontua Márcio Taschelmayer, Coordenador de Energia e Florestal da Agrária.
Junto aos três novos caminhões, a equipe também utiliza um caminhão adicional, nos momentos em que ele não está realizando serviços de transporte de máquinas. Além de potencializar o uso do veículo, isso aumenta a autonomia da condução do cavaco até a indústria em mais 5%.
Os caminhões já foram inseridos no pilar de Manutenção Autônoma do Programa Dono de Área. Em abril, eles foram certificados até a fase 3 do Programa, permitindo que os próprios motoristas realizem pequenas atividades de manutenção, quando necessário. “Esses veículos ocasionaram um aumento nas nossas atividades de manutenção, por isso é importante que os operadores possam efetuar pequenas correções, executar manutenções preventivas e melhorias. Isso é importante para mantermos o conceito de Dono do equipamento e o funcionamento ideal dos mesmos”, explica Cristiane Benin, Engenheira Florestal.
Outra questão relevante é a segurança do trabalho inerente a um novo processo de uso desses caminhões. “Apesar de a equipe conhecer os riscos envolvidos e procedimentos seguros, a segurança no uso desses veículos ainda é um processo novo para nós, então solicitamos o apoio do Departamento de SSMA (Saúde, Segurança e Meio Ambiente) para acompanhar a rotina do trabalho, desde o campo até a etapa de descarga do cavaco nas moegas, mapear os principais riscos de forma a neutralizá-los. O resultado foi documentado em um procedimento operacional, para realizarmos o transporte próprio de cavaco com qualidade, padronização e segurança”, complementa Cristiane.
Aliás, a preocupação com a segurança no carregamento, transporte e descarregamento do cavaco nas unidades industriais da Agrária não vem de hoje e abrange também os prestadores de serviço. Atualmente, não são utilizados caminhões basculantes, o que contribui para redução dos riscos de tombamento. O sistema de enlonamento das cargas também mudou, possibilitando que os profissionais realizem a atividade estando no chão. “Eram fatores com alto potencial de acidente. As melhorias no processo reduziram significativamente o número de incidentes no carregamento e descarregamento desde 2018”, finaliza Taschelmayer.